quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Cair, de folhas

Desde muito tempo que a paisagem da primavera a encanta assim, tão fortemente.Mas não é de muito tempo que o mesmo quadro que ela sempre observou por sua janela vem se mostrando diferente.
Outrora, ela estava lá. Num daqueles dias nos quais não sentia tanto assim o sorriso em seu rosto.E nesse dia, a primavera florida cumpriu seu papel, e a faz companhia durante sua tarde, seu início de noite e seu fim de pensar.O saber que o que via e ouvia da paisagem a fazia tão bem era o motivo pelo qual procurava em qualquer tempo aquele canto do quarto com o buraco para o mundo.
Depois disso, sempre saía com risos ao saudar as pétalas que causavam o seu bem estar.
Hoje, ela estava lá. E era um dia como os dias em que procurava a tal estação.A estação dos sorrisos que hoje lhe faltou com as cores.A primavera não quis dar atenção, não ligou para o observar de sua espectadora da janela, e nem ao menos fez desabrochar a flor que causa o brilho no olhar.
O recanto do canto da parede mostrou-se a ela hoje um espaço de surpresas e a fez ter vontade de outra estação. Que levaria até o último resquício da paisagem que engana com sua doçura.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Sobre egolatria e raios de sol


Os dias de sol nunca são contínuos, seguidos. Isso é fato, indiscutível.
A semana pode ser ótima, o dia pode estar bom. Mas o mês nem sempre se passa com todos os dias brilhando. (É raro até, eu digo).
As nuvens aparecem, rodeiam, permanecem, envolvem.
São diretas e impiedosas. Não se importam em ficar longos tempos, nem em deixar os tempos mais frios. Não se importam com nada. Não ligam, não escutam, não dão atenção. Apenas ficam, no alto de seu egocentrismo. Falam, falam, falam, e se deixam (ou fingem-se) indiferentes aos dizeres alheios.

Ela não gosta das nuvens.
Fazem ela se sentir pesada e o melhor é sentir-se leve.

O aperto das nuvens incomoda e faz brotar chuva dos olhos, que se apertam e seguram os sentidos.

O aperto das nuvens faz com que qualquer vento pareça tempestade, faz com que qualquer brisa seja sentida como pontas de dedos, que qualquer sopro seja não-sentido e faz com que olhar para o céu não desperte nada de boas sensações.
Faz com que a volta do sol seja repleta de borboletas na barriga, de sorrisos desmedidos de criança, do gosto doce de doces de festa e de apertos de abraços apertados.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

E esse sorriso que escapa quando pensamos naquilo que nos faz bem...
E os olhos que se fecham na cena do filme de terror, que se voltam quando alguém passa, que brilham com as lembranças e que soltam lágrimas...
E o calor que se faz presente quando um abraço bem sincero nos envolve...
A alegria incontrolável que se sente ao ver que o dia terá sol
A onda triste que não foge quando não sabemos mais o que fazer
Mas e o sorriso que escapa quando pensamos naquilo que nos faz bem?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

(In)Constante

Há minutos, ela queria estar feliz, sorrir para o céu...
Caminhar cantarolando e sentindo o cheiro doce da noite em seu rosto.

Queria olhar para os lados e ver faces sorridentes,
Braços abertos,
Cores nas pessoas.

Ela passava e tudo era tão estático, tão imóvel, tão descolorido.
Minutos atrás ela era cinza, como a paisagem a sua volta.
Minutos atrás sentido algum se destacava, sentimento algum mostrava-se vivo.

Agora, o som de seus passos avançando é música,
as gotas da chuva que ensaia começar é motivo para erguer o rosto,
a demora de chegar é desculpa para buscar outra canção
e a saudade que aperta tanto não é triste: ela só fará a felicidade ser maior quando a saudade for embora.

sábado, 12 de setembro de 2009

Quanto tempo ainda mais

O quarto não estava arrumado.
Ela voltou e as coisas não estavam mais no seu lugar.
Saiu porque tinha medo de que as coisas sempre ficassem da forma que estavam, e agora vê que muito provavelmente seu medo era justamente o oposto.

Sente falta, (ah! como sente), de tudo como era antes, tudo como estava antes.
Todas as fotografias dos momentos mais felizes estava bagunçadas, a ponto de nem ser possível saber se os momentos foram de fato tão felizes assim.
Os sorrisos não são os mesmos, a leveza que vinha do olhar despreocupado não está mais lá também. O azul que corava as paredes parece ter desbotado, mas por vezes ainda quando ela olha com atenção eles parecem brilhar no encontro das lembranças.

Ela se pergunta se é possível que a ida seja esquecida, e que então a volta não seja uma volta, nem um reencontro com a bagunça que se formou, e então a volta (que sendo assim nem volta seria mais) poderia ser esquecida, assim como a bagunça e restaria então as coisas nos seus devidos lugares, como antes estavam e como sempre foram.
Se pergunta também se isso é pedir demais.

Dá dois passos, olha através da janela, recosta a cabeça nos ombros e pensa que sim. Que é pedir demais, sim.
No dia seguinte seria possível organizar tudo novamente, e ficaria parecendo novo! (ou antigo, como queira).
Mas ficaria igual?

O papel amassado no canto da parede voltaria a ser o pequeno bilhete guardado com afeto? As almofadas espalhas ao chão trariam o mesmo descanso de outrora? Ao encontrar o azul da janela o brilho no olhar seria intenso como sempre foi?

Duas horas se passaram e ela ainda se pergunta se a bagunça algum dia retornará para de onde veio e o quarto terá o mesmo aconchego que tinha quando ela voltava do azul, sentava na cama, abria o sorriso e quase que literalmente dava saltinhos de alegria.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Escrita automática

Escrever qualquer coisa, assim... Simples.
O que vier a cabeça é válido.
Podem ser os pensamentos do dia, as angústias, as vitórias, as pequenas coisas que deram certo.
Pode ser um conto... Contando do filme que mais nos fez rir na infância.
Pode ser um poema... conectando com rimas (ou não) os sons e as palavras que ditam o ritmo que agrada aos nossos ouvidos.
Pode ser também uma piada, para maximizar da melhor forma possível a alegria crescente que quer contagiar a todos: até mesmo aquele ali, recostado à parede fingindo-se indiferente à agitação do lugar.
Ou quem sabe apenas alguns conjuntos de palavras, ora desconexas, para preencher o tempo ditado por algo desconhecido.
E que pode interromper a qualquer momento.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Roteiro de fim de tarde

Chove lá fora.
Chove forte.

Daqui, a vejo olhando para a janela, quase que hipnotizada pela dança de tudo que cai do céu.
Pela dança de tudo que cai.

Está ali no seu estado de espera.
A chuva lá fora não cessa, e esse tempo ela aproveita dando continuidade às suas teorias e tramas.
Do lado de fora, a chuva. E dentro, a incerteza.
Não há para ela meios de sair sem ser atingida por toda água que cai, nem meios de permanecer ali sem ser atingida por tudo que cai a sua volta.

Por frações, tenta distrair seu pensamento brincando com seus cabelos... ou então dando baforadas no vidro a sua frente para desenhar felizes rostos na janela.
Isso porém, apenas por frações. Pois não consegue afastar para muito, muito longe, todas as teorias e tramas.

Seus olhos distantes parecem repousar no jardim logo ali, mas na verdade eles lêem o que não se pode ver. Por frações vêem a chuva, por outras lêem o que não existe... E por outras ainda, disfarçam ignorar aquilo que querem.

Entre a vontade de sair na chuva, abrir os braços, sorrir para o céu e fechar os olhos sentindo os pingos que trazem o sorriso; e a vontade de permanecer ali, onde por ora sorri, por ora observa, por ora sente a vontade incontrolável de abraçar tudo o que sente e mesmo assim não o faz; entre as duas cenas criadas por suas teorias e tramas, ela resolve simplesmente não escolher.

Por que desse modo, ela pode por vezes estar aqui, e por vezes estar lá. E assim a chuva pode vir tanto do céu quanto de seus olhos, e as explosões de felicidade podem ser trazidas pelos momentos mais diferentes: tanto dos pingos da chuva, quanto dos sorrisos, dos braços abertos, das coisas mais simples!

domingo, 12 de julho de 2009

(des)Colorido

Ela acordou devagar, reconhecendo com cuidado onde se encontrava.
Depois de uma surpresa, depois de passos contrários e uma despedida inesperada,
quando chegou em casa nem ao menos lhe cabia onde estava.
Seu despertar foi confuso por tal motivo, então.

Por que motivo tudo estaria escuro? Ela se perguntava.
Para onde foram os sons, os sentidos?
As figuras de linguagem e os sorrisos sem pretensão?
Para onde foram?

Em meio aos questionamentos que fazia a ela mesma,
despontavam uns e outros mais ou menos importantes,
porém um era insistente, e não se deixava ser esquecido.

E as cores?

Suas cores...
O amarelo do sol,
o azul do céu,
o branco puro do sorriso
e o verde dos olhos.

As outras eram apenas um disfarce para a indagação de quem teria o feito.
Para onde foram as cores? Suas cores...

Seu despertar foi confuso, então, depois de uma surpresa, de passos contrários e uma despedida inesperada.
Espreguiçando-se uma vez mais, piscou ainda espantando as questões da manhã, e prosseguiu no descolorido novo dia, que despontava ao fundo, no seu horizonte preto e branco.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sentimento, volver!

A inconstante dança dos sentimentos às vezes tanto a atormenta que ela não sabe para onde fugir.
Não sabe o que pensar ou o que querer, muito menos como agir.
A dança que a cerca de tal forma, que a conduz aos extremos do sentir-se sorridente e em sôfregos soluços chega forte e sem avisar.
Ataca de repente, como quem espera o momento sem sol e brilho do dia, para lhe fazer um cumprimento. Como quem escolhe com as pontas sensíveis dos dedos, os lados mais finos e quebradiços de um semblante de felicidade. Como quem sabe o que fazer e como fazer para que seja mais sentido mesmo que sútil.
É uma dança que gargalhada nenhuma mantém longe, pelo fato de ser trazida e desejada pela própria platéia.
Porque sempre, incontestavelmente, os mesmos que a produzem já a sentiram; e os que a sentem, um dia (é provável) que a farão também.
E mesmo sabendo disso, ela chora.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Grand cirque

Todos podiam sentir quando ela passava.

Era tão forte que nem querendo ignorar, você teria sucesso. Não há meios de dizer que ela quis assim, porque nem mesmo ela sabia de algo. Andava entre eles com a máscara teatral do sorriso largo e sincero. (Sincero!, como se assim fosse...)
Nem na mais surreal das montagens isso poderia ser de verdade, pois o que se escondia ali não tinha começo, não possuia término. Tinha apenas um turbilhão de personagens saltando forte, querendo ter razão. Querendo que suas razões de falsas falas fossem mais fortes do que as (razões) dela.
Carregava sua máscara sempre, sim. Aquela do sorriso. Mas tinha consigo também muito mais do que imagens, e sons, e letras. Existiam fatias de realidade que só ela percebia, sagaz e sutilmente, como quem sempre está ali, escutando e observando e fazendo parte da cena se fundindo com o pano de fundo, querendo não se fazer notar. É o que faz muito bem, já que (quase) ninguém realmente percebe.

Quando todos saem e as pinturas podem ser depositadas no fundo da sala, ela respira lentamente, olha para o céu e pensa no que passou... no que aconteceu nas horas que se foram.
Abraça forte as suas lembranças, e por vezes as lágrimas visitam seu rosto, (por ora desmascarado), fazendo com que a leveza do silêncio a deixe ficar bem novamente. Abraça forte as suas lembranças como se não fossem ser a peça da vez por algum tempo mais. Abraça forte as suas lembranças quase como se fossem elas que estivessem a abraçando. As abraça forte pois sabe que quando os convidados do próximo espetáculo chegarem, as máscaras voltarão aos seus lugares.