Continou seu caminho no burbúrio do silêncio que tomara conta de seu espaço. Ele (o silêncio) estava por todas as partes, e de tão vazio e mudo, aturdia-lhe os ouvidos fortemente. Estava próxima de sua relíquia, faltando muito pouco para alcança-la. Cada passo que dava provocando inaudíveis e ensurdecedores ruídos era simples e puramente para isso: alcança-la. O que lhe muito assustava e paralisava era o saber de que teria que passar pelas pessoas. Aquelas. As que perguntar-lhe-iam das deveras cansativas notícias novas passadas, e de tudo mais aquilo que na verdade não importava.
Mas enfim tranquilizou-se, pois sua emoção era tão grandiosa e seus sentimentos tão belos, que fazia com que o medo se esvaísse. Logo ele, (o medo), que era tão forte, onipresente, e até ali mostrara-se maior até que seus anseios, esvaiu-se como a fumaça que dissipa ao alcançar o céu. Tudo agora que queria estava claro. Sabia qual seria a recompensa, e isso a empurrava, dava-lhe forças, e deixava em seus lábios o leve traço de um sorriso. Em seu olhar o brilho do sol. O caminho estaca tão certo, parecendo como que tivesse brotado por entre os destroços da multidão solitária.
Ela então deixou-se levar até lá. Passou por aquelas pessoas das novidades, dando-lhe apenas respostas cabíveis ao que sentia, e minimamente importando-se com (a falta de) sentido das palavras que fugiam dela mesma e iam ao encontro de si.
Já conseguia enxergar, sentir, quase tocar. Esticava seus braços ao máximo, como se fossem fitas estendidas, e infantilmente sorria para a situação, que lhe era favorável (e tão esperada).
Estava ali em seu lugar tudo o que a mais a completara. O dia era frio, mas o sol brilhava quente embora que tímido. As folhas dançavam ao som do vento. E ela palpava sua caixa de lembranças que acabara de pegar, no mais nostálgico dos gestos.
Olhava para o que sentia, e lembrava-se de tudo no mesmo tempo em que planejava e imaginava outros tantos. Sentia-se maravilhada com a sinestesia que era capaz de pensar, e apenas era ela ali, com o final da tarde, com os sons dos abraços, o cheiro das palavras rabiscadas, o calor da ausência dos queridos, e ela ali. Só; mas mesmo assim cheia, em contraponto com o estar só no meio da multidão, sentia-se muito mais do que uma enquanto ela mesma.
3 comentários:
:OO Nossa me diz o segredo dessa inspiração (A) Ta entre meus prefiridos (y)
Ah..qualé Ana
Vira poetera assim e nem conta pras amigas
heiehueieuiehue
Eu te amo minha flor de maracujá e tô quase morta de saudades já
Ah..o texto? Quase nem ficou perfeito
Horrível eu até diria
♥
''(...) o silêncio como forma esclarecedora dos vazios preenchimentos. (...)" (Clarice Lispector)
Que coisa mais bonita!
Beijos guria!
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