Tudo acontece, passa, volta, faz-se lembrar (ou esquecer).
Ela sentiu tudo, com todas as suas forças, da maneira mais sincera, e intensa, e real que foi capaz.
Quando a chuva cessou, e quando tudo aquilo se foi, e quando todo o resto voltou, rodeou e ali permaneceu...
e quando as sombras repousaram sobre o muro e a sensação de tudo certo tomou conta dela... nesse momento percebeu que não era a hora de realmente deixar tudo para trás.
Porque os dias dos sentidos exacerbados ali estavam novamente, trazendo tudo aquilo que havia ficado para trás, daquela mesma caixa de lembranças de outrora.
A platéia parou, estarrecida, aflita.. e com aquele ar dos que já sabem o final mas ficarão para assistir.
Que bom que ficaram, pensou ela. E depois, pensaram eles também.
O que se passou não foi esperado, nem previsto, nem calculado. Foi diferente de tudo, e foi por esse motivo que foi bom.
E ao contrário dos rumores que falaram, tudo correu bem.
E ao contrário do que a platéia atônita e imóvel queria, tudo correu bem.
Ao contrário do fim, o começo.

Ela sorriu.
2 comentários:
nao sei o que é melhor, ter uma esperança de ter(ou nao)um fim para se prever, ou se realmente a falta de introdução nao me permite sorrir com o inesperado!
gostei do texto! bom dia ana!
adorei teu texto - e a novidade? :)
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