sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Assim como sempre foi


Do centro do picadeiro, desviando seu olhar dos olhares que até ela não chegam, tenta entender (ao menos entender) o que se passa com os acontecimentos que ficam para trás.
Ou o que se passa com os que passaram uma vez, fizeram o espetáculo, seguiram seus caminhos e não tornaram a ali passar novamente.
Se o texto não ficou bom, se o instante não foi o mais apropriado, se devia ter esperado um pouco mais, ou quem sabe um pouco menos... Isso não a interessa mais.
Agora ela apenas sabe que está tudo bem e ela ri enquanto atravessa a fileira de cadeiras.
Ri pensando nos dias.
Os dias de ritmos e de conversas, e também os de silêncios.
Os dias de gargalhadas com as pessoas queridas, e os dias de gargalhadas sozinha também.
Sempre no fim do espetáculo há a confusão do ir embora, do deixar.
Mas agora tudo está calmo, e assim vai ficar até a próxima vez. 
A vez de inexatos momentos que precedem o começo, e depois o tempo leve, que passa e nem se faz notar, seguido de mais um fim, que na verdade não encerra o que ela pensa.
Apenas a faz continuar com a idéia de que o que sente é o que precisa, e nada mais é tão forte no seu circo das emoções.