Ali estava ela. Contemplando, diante de si, a enorme barreira que seus olhos tinham erguido. E que agora funcionava (de certa forma) como um espelho. Onde era capaz de analisar tudo.
Tudo que disse, que fez, que sentiu, que considerou. E que não disse, que não fez, não sentiu e deixou de lado.
Enquanto corria os olhos por cada canto, a melodia do canto que ela trazia esboçava (nela) um sorriso, de leve. Daqueles que não se vê. Se sente.
E isso não era ruim.
Não que fosse bom. Apenas não era. E como diz a canção 'o que não foi, não é'.
A imensa felicidade que ela tinha, de ali estar e de poder estar ali, transbordava dos seus pensamentos e escorria pelos seus gestos.
Seus passos, suas danças e suas falas.
Ah!, como era singelo o seu imperceptível sorriso e o sentimento de bondade que tomava o ar, quase se impondo à tudo que a ele fosse contrário.
E como era simples tudo aquilo.
Como era doce. E bom. E verdadeiro.
Quanta graça tinha sentir, depois dos ventos fortes que se fizeram presentes, a brisa graciosa e radiante que pairava sobre qualquer um que fosse. E como num filme passado, visto numa madrugada distante, com as pipocas e os risos sobre o sofá, o final (feliz, é claro) já tinha chegado e aguardava apenas o seu momento certo de vir à tona, deixando todos que haviam esperado, (pacientes e torcendo pelo melhor), com aquela larga expressão de final de dia ensolarado: nos lábios o sorriso que vem depois da gargalhada, nos olhos a lágrima que acompanha os bons momentos, na alma a certeza de que tudo dá certo, e nas mãos a falta de palavras para colocar no querido diário mais um roteiro de um ótimo dia que passou.
6 comentários:
..eu sei que ainda vou voltar... ams eu quem será?"
ah, as marcas visíveis da alma embreutecem tanto a palavra, que jarros inexprimíveis, jorram silêncio pra compilar o entendimento.
Atiça.
;****
ana, acho que foi o post mais lindo que eu já li :) singelo, e pipocas : ) oras
beeeijos amiiiga
=*****
Lu
a mim a sensação: o respirar, aliviado e pleno, de prazer por ver o que transforma o sorriso em arrepio; este em lágrima e esta, por ultimo, em sorriso.
o espelho que reflete o tempo que já foi, como um caminho abstrato, em que todas as marcas atravessam-no como mágica, trazendo na volta lembranças e sorrisos, assim como esse.. :)
lindo texto ^^
bunitinha
Você escreve encantadoramente Ana ;)
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