sexta-feira, 12 de junho de 2009

Grand cirque

Todos podiam sentir quando ela passava.

Era tão forte que nem querendo ignorar, você teria sucesso. Não há meios de dizer que ela quis assim, porque nem mesmo ela sabia de algo. Andava entre eles com a máscara teatral do sorriso largo e sincero. (Sincero!, como se assim fosse...)
Nem na mais surreal das montagens isso poderia ser de verdade, pois o que se escondia ali não tinha começo, não possuia término. Tinha apenas um turbilhão de personagens saltando forte, querendo ter razão. Querendo que suas razões de falsas falas fossem mais fortes do que as (razões) dela.
Carregava sua máscara sempre, sim. Aquela do sorriso. Mas tinha consigo também muito mais do que imagens, e sons, e letras. Existiam fatias de realidade que só ela percebia, sagaz e sutilmente, como quem sempre está ali, escutando e observando e fazendo parte da cena se fundindo com o pano de fundo, querendo não se fazer notar. É o que faz muito bem, já que (quase) ninguém realmente percebe.

Quando todos saem e as pinturas podem ser depositadas no fundo da sala, ela respira lentamente, olha para o céu e pensa no que passou... no que aconteceu nas horas que se foram.
Abraça forte as suas lembranças, e por vezes as lágrimas visitam seu rosto, (por ora desmascarado), fazendo com que a leveza do silêncio a deixe ficar bem novamente. Abraça forte as suas lembranças como se não fossem ser a peça da vez por algum tempo mais. Abraça forte as suas lembranças quase como se fossem elas que estivessem a abraçando. As abraça forte pois sabe que quando os convidados do próximo espetáculo chegarem, as máscaras voltarão aos seus lugares.

1 comentários:

Mr Bobby Jones McGee disse...

porque o espetáculo não pode parar.

uma hora ela terá de ser, deveras, e não mais representar.. a partir daí, lembranças serão apenas e realmente lembranças, mas viver será maior que qualquer lembrança.

"com o que será que sonha a mulher barbada?..."

:)