terça-feira, 21 de julho de 2009

Roteiro de fim de tarde

Chove lá fora.
Chove forte.

Daqui, a vejo olhando para a janela, quase que hipnotizada pela dança de tudo que cai do céu.
Pela dança de tudo que cai.

Está ali no seu estado de espera.
A chuva lá fora não cessa, e esse tempo ela aproveita dando continuidade às suas teorias e tramas.
Do lado de fora, a chuva. E dentro, a incerteza.
Não há para ela meios de sair sem ser atingida por toda água que cai, nem meios de permanecer ali sem ser atingida por tudo que cai a sua volta.

Por frações, tenta distrair seu pensamento brincando com seus cabelos... ou então dando baforadas no vidro a sua frente para desenhar felizes rostos na janela.
Isso porém, apenas por frações. Pois não consegue afastar para muito, muito longe, todas as teorias e tramas.

Seus olhos distantes parecem repousar no jardim logo ali, mas na verdade eles lêem o que não se pode ver. Por frações vêem a chuva, por outras lêem o que não existe... E por outras ainda, disfarçam ignorar aquilo que querem.

Entre a vontade de sair na chuva, abrir os braços, sorrir para o céu e fechar os olhos sentindo os pingos que trazem o sorriso; e a vontade de permanecer ali, onde por ora sorri, por ora observa, por ora sente a vontade incontrolável de abraçar tudo o que sente e mesmo assim não o faz; entre as duas cenas criadas por suas teorias e tramas, ela resolve simplesmente não escolher.

Por que desse modo, ela pode por vezes estar aqui, e por vezes estar lá. E assim a chuva pode vir tanto do céu quanto de seus olhos, e as explosões de felicidade podem ser trazidas pelos momentos mais diferentes: tanto dos pingos da chuva, quanto dos sorrisos, dos braços abertos, das coisas mais simples!

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