sábado, 12 de setembro de 2009

Quanto tempo ainda mais

O quarto não estava arrumado.
Ela voltou e as coisas não estavam mais no seu lugar.
Saiu porque tinha medo de que as coisas sempre ficassem da forma que estavam, e agora vê que muito provavelmente seu medo era justamente o oposto.

Sente falta, (ah! como sente), de tudo como era antes, tudo como estava antes.
Todas as fotografias dos momentos mais felizes estava bagunçadas, a ponto de nem ser possível saber se os momentos foram de fato tão felizes assim.
Os sorrisos não são os mesmos, a leveza que vinha do olhar despreocupado não está mais lá também. O azul que corava as paredes parece ter desbotado, mas por vezes ainda quando ela olha com atenção eles parecem brilhar no encontro das lembranças.

Ela se pergunta se é possível que a ida seja esquecida, e que então a volta não seja uma volta, nem um reencontro com a bagunça que se formou, e então a volta (que sendo assim nem volta seria mais) poderia ser esquecida, assim como a bagunça e restaria então as coisas nos seus devidos lugares, como antes estavam e como sempre foram.
Se pergunta também se isso é pedir demais.

Dá dois passos, olha através da janela, recosta a cabeça nos ombros e pensa que sim. Que é pedir demais, sim.
No dia seguinte seria possível organizar tudo novamente, e ficaria parecendo novo! (ou antigo, como queira).
Mas ficaria igual?

O papel amassado no canto da parede voltaria a ser o pequeno bilhete guardado com afeto? As almofadas espalhas ao chão trariam o mesmo descanso de outrora? Ao encontrar o azul da janela o brilho no olhar seria intenso como sempre foi?

Duas horas se passaram e ela ainda se pergunta se a bagunça algum dia retornará para de onde veio e o quarto terá o mesmo aconchego que tinha quando ela voltava do azul, sentava na cama, abria o sorriso e quase que literalmente dava saltinhos de alegria.

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