quarta-feira, 30 de junho de 2010

As engrenagens não param. Funcionam e funcionam cada vez mais, com mais força e vontade de funcionar.

Escuro, mas claro.

Na trilha: os cachorros latindo, o zunido dos carros longe, o relógio da escrivaninha, o sopro da respiração e o silêncio no intervalo das coisas. Os barulhos da noite.

Na cena: ao lado dos sons, as engrenagens mudas disparadas ao longo do dia por algum ato ou evento. Elas alimentam-se do pensar, do lembrar, do despertar algo de bom. Alimentam-se da ânsia por respostas, por novidades, por passados e por dizeres (aqueles mesmos que não bastam, mas que se fazem necessários). Ansiedade que surge do riso que surgiu da lembrança que surgiu do que já passou gerido por um acaso, daqueles bem bobos.

Nela: O ir, o ficar, o pensar, o ver. A tomada da decisão, o abandono da escolha, a leveza do deixar assim... Um banco de ações. Não feitas mas também não descartadas, com a mesma medida de possível e provável. Diferentes, mas iguais. Daqui, até onde é notável, é apenas mais um pouco de drama cotidiano, daquele presente nas novelinhas e nos jornais. Comove, encanta, até prende, mas depois passa.
Se é o sono que vem impedir a troca de páginas, o vento mesmo se encarrega de levar a história embora.

E o depois é igual ao antes, só que mais tarde.

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