segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Olhar


O céu brilha, o vento sopra de leve, o sol aquece na medida certa, os passos são dados um por um, dando ritmo aos acontecimentos que vão se desenhando.
Desenhando, desenhando...
Desenho...
Os traços do desenho não mostrado ficam guardados, carinhosamente jogados no fundo da última gaveta da escrivaninha.
Não digo que esquecidos.
Apenas deixados para um momento mais oportuno. Ou para um momento qualquer. Ou então estão lá como uma lembrança que traz um sorriso não tão prazeroso para que seja presente mais uma vez.
A janela do lado oposto ainda serve para observar o céu. Mas seriam os mesmos os pensamentos que correm pela cabeça?
Ela consegue medir que o calor trazido é o mesmo por uns momentos. Consegue medir que as dúvidas permanecem, que as pessoas mantém as suas opiniões e consegue medir também que as emoções e cenas aparecem e somem num vicioso ciclo até agora sem fim.
Uma incerteza não é o que resolve o ciclo. Uma certeza também não, talvez.
Uma ação (quando não resolve), ao menos altera um pouco o vai e vem do silêncio e das palavras.
A persistência do ato feito, (e persistência aqui não vem do sentido comum, que fique claro), é que faz com que o insumo seja aproveitado. Faz com que o pensar que tudo voltou a ser como sempre foi, pareça condizer mais com a realidade alterada pelo sorriso lido dos olhos.

1 comentários:

runa disse...

Talvez as certezas se encerrem numa nova dúvida, porque tudo é busca, solução e realidade.
Deixe-se a oportunidade de ser, quando lhe for oportuno.
E podes ter certeza que esse sorriso lido dos olhos muda uma farpa da realidade, alterando minha face para um sorriso.

fique bem, ana

abraço forte