sábado, 7 de agosto de 2010

Tão bom sentir

Ela senta e se concentra no que estuda, mas o que se passa na cabeça são ainda cenas das coisas que acontecem. Resolve então que o melhor é deixar-se envolver no que surge das ideias, e soltar ao vento o que ela pensa...
Coloca as folhas de lado, puxa um papel rabiscado qualquer, e nos espaços vazios começa a escrever.
"Tão bom sentir", escreve ela.
"O dia lindo, um sol brilhando. A música que tocava ao fundo, cantarolada em silêncio na cabeça, dava um tom a mais no tom quente da tarde."
Já perguntaram à ela sobre o medo das tempestades. Já perguntaram-lhe também sobre o motivo de gostar tanto do sol e das cores. Já perguntaram sobre suas figuras de linguagem, sua falta de radicalismo e nunca tiveram respostas consistentes.
"Queria pedir um abraço dos amigos esses dias. Queria. Queria que todos sentissem o carinho de estar feliz."
Vi que depois de escrever algo, ela olhou e releu e rabiscou e pôs o lápis sobre seus lábios. Como se dissesse baixinho quais palavras deveriam ser escritas.
"Não queria pedir um, não. Pensando melhor deveria dar um abraço desmedido e sem tempo marcado nas pessoas que me fazem bem. Afinal, é tão bom sentir."
Agora vi que sorriu para as linhas desenhadas.
"Eu queria também saber por qual motivo as pessoas são tão racionais. Se é tão bom sentir, por qual motivo então devemos pensar em todos os momentos? Nem toda situação pede que sejamos adultos. Uma criança é muito mais transparente do que qualquer janela bem limpa brilhando na casa de um adulto que só pensa. Uma criança abraça a mãe até por uma bronca. Um adulto não abre um sorriso nem com uma declaração. E é tão bom sentir."
Sacode os pensamentos, pega os livros e cerra os olhos. Concentrada de novo. Mas escuta-se ainda o pensamento que ficou pendurado nas linhas dos rabiscos deixados de lado.
"Será que alguém entenderia?"

2 comentários:

Guilherme Albinno disse...

nossa aninha, ficaria preso aos seus textos o dia td.. amo

Cláudia I, Vetter disse...

bem, eu disse um dia:
''É nos ladrilhos empoeirados que os dedos deslizam e um pouco de paisagem e outro pouco de rosto aparecem.
Não é só no espelho que a fronte se reflete;
não quando a alma é límpida.''

acredito em você... e lha sinto.

grande beijo,
mais forte ainda, abraço!