Querer e não querer.
O vento sopra uma palavra que faz mudar por completo as decisões feitas.
A vontade de proferir as palavras se perde nos pensamentos profundos das indecisões, e aí então não lhe desanima mais o fato de não conseguir. O que a desanima é o fato de saber o motivo que tranca sua voz.
Veja você daí, como eu faço daqui. Observe-a sob o minguado brilho da noite mal-estrelada, e analise também.
Vê-se que o medo não é medo, é precaução.
Vê-se que o silêncio da boca não esconde o que não foi dito.
Vê-se que o olhar pousado em lugar algum não é distração e sente-se também que o frio bom da noite de outono combina mais do que perfeitamente com a cena desenhada.
"Olha pro céu, meu amorVê como ele está lindoOlha praquele balão multicorComo no céu vai sumindo..."
A palavra não saiu.
A peça não foi vista.
Não teve música, não teve conversa.
Não teve nada além do texto ensaiado e guardado para depois, assim como todas as outras vezes que a ideia da vida passeou pela cabeça dela.