Sentia falta do doce.
O amargo das lágrimas que, dançantes, escorregavam-lhe o contorno do rosto até pularem para o chão não era o que queria sentir.
Quem não quer, (e quem não gosta), das doçuras que o calor traz?
Ela gosta.
É claro.
Afinal, o frio do silêncio chega e escurece tudo que está a seu redor.
Calmamente, vez ou outra, ele (o silência) aparece.
Todos sabem (e ela sabe) que basta um grito para quebrar o silêncio.
E que então assim ela vai embora.
E que tudo volta ao normal.
Ou nem tudo.
Mas não é sempre, porém, que o grito se faz presente.
Ela repete em seus pensamentos: "Tempo ao tempo, não é assim que dizem?"
"Assim como veio, o silêncio também vai. É uma questão de espera."
Mas no fundo ela sabe que na verdade não se trata de dar tempo ao tempo.
A questão é dar tempo à ele, ao silêncio.
Tempo ao silêncio.
Desta maneira apenas que ele faz o que tem que fazer, e depois vai embora.
Por vontade própria, no seu tempo.
E a espera fica ali, acompanhando-a.
A espera, o silêncio e o molhado do rosto.
Companhias inseparáveis da chuva que cai. E não faz barulho algum ao cair.
À espera.
Eu escuto daqui seu coração lhe dizendo para deixar a espera e as lágrimas de lado, para fazer com que o silêncio sinta-se cansado de existir sozinho.
Mas ela , ah, ela não escuta mais nada.
Está no só. E no silêncio.
Tempo.
Veja.
Ela olha pro lado. Bruscamente.
Como se alguém a tivesse chamado, e chamado bem alto.
O brilho nos seus olhos se transforma, e eles parecem sorrir.
Sim, os olhos sorriem.
E, junto com eles, a boca, o corpo, as mãos. Todos sorriem juntos.
Sorriem pela ida do silêncio, pela volta do calor, pelo sol tímido, pelos doces, pelas cores vibrantes.
Sorriem pela vida, pela felicidade e pelo amor.
Alguém a chamou bem alto, quebrou o silêncio a tirou das companhias cinzas.
E sim.
Os olhos sorriem.
E, junto com eles, mostra-se nos lábios o desponto de um sorriso que veio para ali ficar e dali não sair mais.
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