quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Silêncio

Sentia falta do doce.
O amargo das lágrimas que, dançantes, escorregavam-lhe o contorno do rosto até pularem para o chão não era o que queria sentir.

Quem não quer, (e quem não gosta), das doçuras que o calor traz?
Ela gosta.
É claro.
Afinal, o frio do silêncio chega e escurece tudo que está a seu redor.

Calmamente, vez ou outra, ele (o silência) aparece.
Todos sabem (e ela sabe) que basta um grito para quebrar o silêncio.
E que então assim ela vai embora.
E que tudo volta ao normal.
Ou nem tudo.
Mas não é sempre, porém, que o grito se faz presente.

Ela repete em seus pensamentos: "Tempo ao tempo, não é assim que dizem?"
"Assim como veio, o silêncio também vai. É uma questão de espera."

Mas no fundo ela sabe que na verdade não se trata de dar tempo ao tempo.
A questão é dar tempo à ele, ao silêncio.

Tempo ao silêncio.

Desta maneira apenas que ele faz o que tem que fazer, e depois vai embora.
Por vontade própria, no seu tempo.

E a espera fica ali, acompanhando-a.
A espera, o silêncio e o molhado do rosto.
Companhias inseparáveis da chuva que cai. E não faz barulho algum ao cair.

À espera.

Eu escuto daqui seu coração lhe dizendo para deixar a espera e as lágrimas de lado, para fazer com que o silêncio sinta-se cansado de existir sozinho.
Mas ela , ah, ela não escuta mais nada.
Está no só. E no silêncio.

Tempo.

Veja.
Ela olha pro lado. Bruscamente.
Como se alguém a tivesse chamado, e chamado bem alto.
O brilho nos seus olhos se transforma, e eles parecem sorrir.

Sim, os olhos sorriem.
E, junto com eles, a boca, o corpo, as mãos. Todos sorriem juntos.

Sorriem pela ida do silêncio, pela volta do calor, pelo sol tímido, pelos doces, pelas cores vibrantes.
Sorriem pela vida, pela felicidade e pelo amor.

Alguém a chamou bem alto, quebrou o silêncio a tirou das companhias cinzas.

E sim.
Os olhos sorriem.
E, junto com eles, mostra-se nos lábios o desponto de um sorriso que veio para ali ficar e dali não sair mais.